quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Atividade Paranormal

Em 1999, o filme A Bruxa de Blair conquistou fãs no mundo inteiro com seu jeito novo de fazer terror: câmera nas mãos dos atores e uma historinha pra boi dormir, que dizia que tudo que aparecia na tela tinha acontecido de verdade. Quanto mais gente assistia o filme, mais gente acreditava que era tudo verdade e assim, uma produção que custou apenas 35 mil dólares arrecadou milhões em bilheteria. O tempo passou, todos perceberam que nada daquilo era real e tudo voltou ao normal. Até que, em 2009, apareceram outros dois filmes nesses moldes: o bom REC e o detestável Atividade Paranormal.

Logo no começo do filme é utilizada a mesma estratégia que foi usada no filme da bruxa, com uma mensagem dizendo que todas aquelas imagens são reais, além de um agradecimento à polícia e às famílas das vítimas por cederem as imagens. Sem contar que aqui também os personagens têm os mesmos nomes dos atores. Será que os produtores acharam que alguém realmente iria cair nessa? Mas mesmo que alguém acreditasse, tudo cai por terra quando o filme começa.

O personagem Micah compra uma câmera para tentar registrar qualquer coisa estranha na casa, já que a esposa dele, Katie, tem sentido coisas estranhas acontecendo de noite. O problema é que o filme ficaria muito chato se mostrasse apenas cenas do quarto do casal de noite (local onde ocorrem as atividades paranormais), então Micah simplesmente não para de gravar. Em Bruxa de Blair, os personagens gravavam o tempo todo pois tinham a desculpa de estar fazendo um documentário, mas em Atividade Paranormal a primeira coisa que o casal faz quando acorda é pegar a câmera. O pior são as cenas em que Micah vai mostrar alguma gravação para Katie, ele simplesmente fica filmando a tela do computador. Isso, além de deixar o filme ainda mais inverossímel, o deixa também repetitivo, uma vez que o público já tinha visto essas imagens que Micah está mostrando para a esposa.

E, como não existe nada tão ruim que não possa piorar, até a edição do filme é ruim. Em certo momento, Katie está gritando e Micah corre para socorrê-la (sempre com a câmera na mão), aí a cena sofre cortes rápidos para não mostrar todo o caminho que o protagonista faz da sala até o quarto, mas o som de Katie gritando é contínuo. Como os produtores esperam que a gente acredite que aquelas imagens são reais fazendo coisas desse tipo? E aquele trailer que mostrava pessoas assistindo o filme e levando vários sustos é pura mentira, na verdade chega a dar sono já que não acontece praticamente nada de interessante, com exceção de uma cena ou outra. Pra não dizer que o filme não tem nada de bom, até que Atividade Paranormal serve pra dar umas risadas com algumas forçadas de barra. É impressionante como os personagens, por mais assustados que estejam, fazem de tudo antes de acender as luzes, provavelmente para deixar a platéia com mais "medo".

Para os fãs de Bruxa de Blair, que estejam procurando um bom filme com câmera na mão, esqueçam Atividade Paranormal. Procurem por REC, que é muito mais divertido, despretensioso e rende alguns bons sustos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Avatar

Desde que foi anunciado, Avatar provocou um alvoroço na indústria do cinema, afinal, o diretor James Cameron passou 10 anos desenvolvendo a tecnologia necessária para contar a história, gastando mais de 400 milhões de dólares no processo. Isso sem contar que seria o primeiro filme de ficção de Cameron desde o mega sucesso de bilheteria Titanic. E o resultado disso tudo é embasbacante, pelo menos no que se refere ao visual do filme. Infelizmente, a história não é lá grande coisa, qualquer pessoa que assiste muitos filmes já sabia o final de Avatar só de ver os trailers.

Tudo começa quando o soldado Jake Sully (Sam Worthington) chega ao planeta Pandora e acaba recebendo a missão de s
e infiltrar entre os Na'Vi, a raça inteligente do planeta, que lembram os indígenas da Terra. Jake tem que ganhar a confiança deles para que os humanos consigam explorar a região onde as criaturas vivem e extrair o unobtainium, uma substância extremamente valiosa. Daí pra frente já é tudo previsível, você sabe que o soldado humano vai acabar se apegando à cultura local e lutando ao lado deles. o que faz o ingresso valer a pena mesmo são os efeitos especiais e o mundo criado por James Cameron.

Pandora é basicamente um planeta flores
ta, não existem estruturas tecnológicas, e é impressionante como, apesar da aparência alienígena, todo aquele ecossistema parece realmente existir. Quando algum humano interage com o local, você nem lembra que na verdade o ator está atuando em um fundo verde, tamanha é a perfeição dos cenários. Mas é quando os Na'Vi aparecem na tela que percebemos que os 10 anos que Cameron passou desenvolvendo suas tecnologias valeram a pena. A tecnologia de captura de movimentos e das feições dos atores é de cair o queixo. Mesmo com três metros de altura, braços longos e pele azul, é possível reconhecer cada ator que emprestou seu rosto para ps Na'Vi ou para os avatares. A movimentação das criaturas é muito natural, não dá aquela sensação de estar vendo um boneco em movimento na tela. Quando um Na'Vi encontra com um humano então, temos a certeza de que essa raça de seres azuis realmente existe.


A preocupação de Cameron em querer mostrar o mundo que ele criou fica clara no modo como a história se desenvolve. Com mais de duas horas e meia de duração, Avatar tem um ritmo lento, não apenas para desenvolver os personagens e suas motivações, mas principalmente para mostrar toda a beleza de Pandora. O problema desse ritmo lento é que algumas partes se mostraram realmente chatas, eu quase dormi quando começou toda aquela cantoria psicodélica dos Na'Vi. Quem for ao cinema esperando um filme de ação ininterrupta, pode esquecer. A maior parte do longa metragem é sobre Jake Sully aprendendo dos costumes Na'Vi, enquanto Cameron mostra como Pandora é bonito e como a tecnologia que ele criou é impressionante. A ação mesmo foi deixada para a parte final do filme.

E quando se trata de ação, o diretor de Exterminador do Futuro 1 e 2 sabe o que faz. Além dos combates entre máquinas e seres gigantes serem sensacionais, James Cameron sabe exatamente o que o público quer ver, ele não se utiliza de cortes rápidos nem de closes exagerados, como acontece em Transformers 2, por exemplo. Pelo contrário, muitas batalhas são mostradas com um plano bem aberto, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na tela. Resumindo, quando o assunto é dirigir cenas de ação, James Cameron é tudo que Michael Bay gostaria de ser.



Uma coisa que fica bem clara em Avatar é a crítica à sociedade moderna e ao modo como nós cuidamos do planeta, principalmente quando um dos personagens diz que, ao contrário de Pandora, não existem mais florestas na Terra. E é impossível não fazer uma comparação com os humanos atrás de unobtainium e os EUA invadindo o Iraque em busca de Petróleo. Só faltou o exército humano inventar que os Na'Vi possuíam algum tipo de arma de destruição em massa.

Ao final do filme, fiquei com a sensação de que poderia ter sido bem melhor. O filme é divertido e tal, mas não saí do cinema falando "nossa, que foda, quero assistir de novo" (eu assisti Dark Knight três vezes no cinema), só devo assistir novamente quando sair em dvd. Nem o 3D do filme eu achei tão sensacional assim, mas provavelmente no IMAX deve ser mais impressionante. James Cameron bem que podia ter se dedicado um pouco mais à história e não apenas à tecnologia. Basta lembrar de Matrix que, em 1999, revolucionou os efeitos especiais da época e ainda contou uma história sensacional (que foi estragada com os outros dois filmes).



PS: Uma coisa que achei engraçada foi a quantidade de pessoas que foram assistir Avatar achando que fosse a adaptação daquele desenho animado. E não eram apenas crianças, tinha muito marmanjo não entendendo nada no meio do filme.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

2012

Primeiro, o fim do mundo foi prometido para o ano 2000; depois, os "estudiosos" se corrigiram, afirmando que tudo acabaria na virada do século, em 2001. Obviamente, eles erraram mais uma vez e todos meio que deixaram pra lá essas histórias sobre o apocalipse. Mas eis que, de uns tempos pra cá, os alarmistas de plantão começaram a dizer que os maias previram o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012. E deve ter sido nesse momento que o diretor Rolland Emmerich pensou "opa, é nessa que vou me dar bem dessa vez".

Com o simples título de 2012, a nova produção do diretor alemão responsável por Independence Day e Godzilla, é mais um daqueles filmes catástrofes, com o mundo sendo modificado completamente e uns poucos sobreviventes para reconstruí-lo depois. O grande problema do filme é ele ser mais do mesmo e estar recheado de cenas e personagens clichês. Estão ali, por exemplo, o presidente americano altruísta (Danny Glover); o cara que ainda ama a ex-esposa (John Cusack); o filho que não se dá bem com o pai, mas adora o padrasto. Enfim, tudo ali já foi visto em algum outro filme do tipo. Isso sem contar que dá pra saber exatamente o que vai acontecer com cada novo personagem que surge na tela.

Pelo menos a história não tenta passar nenhuma lição sobre proteger o planeta, a destruição era simplesmente inevitável. Tudo começa quando o sol passa a emitir intenas radiações solares, fazendo com que as placas tectônicas da Terra passem a se mover de maneira absurda. Infelizmente, o filme ainda tenta passar aquelas batidas lições de redenção. Praticamente todos os personagens estão tentando se redimir por alguma coisa que fizeram no passado e, obviamente, toda essa destruição vai ajudá-los a corrigir os erros cometidos ou se reaproximar de pessoas queridas.

As cenas de ação até que são divertidas, mas poderiam ser bem melhores se tudo não fosse tão grandioso. Todas as cenas são inverossímeis demais e, como eu disse no parágrafo acima, são cheias de clichês. Não faltou nem a clássica cena em que um avião corre a toda velocidade, tentando levantar voo antes que a pista acabe, aí ele cai em um buraco...alguns segundos de tensão e o veículo sai voando, triunfante, ao som de uma música de vitória. E uma cena desse tipo acontece duas vezes ao longo da projeção. Além disso, os protagonistas do filme parecem ser protegidos por alguma força sobrenatural. É impressionante como, com a Califórnia vindo abaixo, a família de protagonistas é a ÚNICA que consegue escapar de absolutamente tudo e utilizando apenas um simples carro. Tudo bem que esse tipo de filme é pra ser mentiroso mesmo, mas nem com muita boa vontade dá pra acreditar que alguém sobreviveria às situações mostradas em 2012. Quanto a tão comentada cena do Cristo Redentor sendo destruído, cuidado para não piscar ou vai acabar não vendo.

Enfim, os fãs de filmes de catástrofe provavelmente vão gostar de 2012, apesar de existirem opções melhores. Mas se você já não gostou de Godzilla ou O Dia Depois de Amanhã, passe longe desse filme porque ele não traz nenhuma novidade em relação a esses dois.

domingo, 15 de novembro de 2009

Há exatos 114 anos nascia o Clube de Regatas do Flamengo

Esse com certeza vai ser o post menos nerd deste blog, mas eu tinha que homenagear o meu time do coração, o time conhecido como o mais querido, aquele quem tem a maior torcida do mundo. Tenho que começar dizendo que 114 anos atrás as pessoas provavelmente viviam com um desgosto profundo, pois faltava um Flamengo no mundo. Às vezes tem gente que pergunta "por que você torce pelo Flamengo?", mas a verdade é que nós rubro-negros não torcemos apenas, nós somos Flamengo. É isso que diferencia nossa torcida dos outros, mesmo quando temos jogadores rídiculos em campo, nós dizemos sempre que eles são os melhores do mundo (Obina já foi até melhor que o Eto'o). A relação da torcida com o clube é como um casamento, brigamos muitas vezes, mas sempre fazemos as pazes.

Em 114 anos de história, o Flamengo já passou por vexames, como os 6 a 0 para o Botafogo, goleada que foi devidamente devolvida à cachorrada. Também já goleamos o pó de arroz por 7 a 0. Já ganha
mos uma Libertadores de um Mundial, mas também já fomos eliminados de forma bizonha da Libertadores, dentro do Maracanã. Temos 5 brasileiros (embora os arco-íris adorem falar que são 4, mas o que se pode esperar de torcedores que se contentam com título da série B?). Infelizmente, já faz 17 anos que não vencemos um Brasileiro, quem sabe esse ano com a ajuda do ídolo Petkovic a gente não consigue? E por falar no velhinho, foi ele o responsável por uma das nossas conquistas mais heróicas dos últimos anos: o tricampeonato carioca em 2001, em cima do Vasco. Eu não tive a oportunidade de ver o Zico jogar, mas pelo menos vejo o Pet.

E se o assunto é Campeonato Carioca, 2009 foi o ano que o Mengão finalmente ultrapassou o Fluminense em número de títulos, são 31 pra gente contra 30 do flor. E olha que começamos a disputar o Carioca muitos anos depois deles heim. Pra ficar melhor ainda, o 31º título veio com mais um tricampeonato (o quinto), dessa vez em cima do Chorafogo, que se mostrou um vice pouco digno, o que me faz ter saudades do Vasco como nosso vice.

2009 é também o ano em que o Flamengo voltou a disputar de verdade um Campeonato Brasileiro. Depois de anos brigando pra não cair, pela primeira vez nós não chegamos na zona do rebaixamento. Muito pelo contrário, até a presente data brigamos pelo título. Se vamos conseguir ou não, é outra história, mas pelo menos estamos lutando lá em cima, enquanto dois dos nossos rivais brigam pra não cair e o outro disputou a série B.

Pra finalizar, hoje tem jogo contra o Náutico, importantíssimo pro Flamengo seguir na briga pelo título. E, apesar de ser o Flamengo que faz aniversário, nada melhor do que o time dar a vitória de presente pra essa torcida maravilhosa. Uma torcida que é chamada de Nação não é a toa.

Saudações Rubro-Negras e parabéns ao Clube de Regatas do Flamengo!

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